
Com a proposta de ampliar o diálogo e promover a cultura de paz, o Programa Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Roraima promoveu nos dias 9 e 10 de junho, a “Formação para facilitadores e instrutores na área de justiça restaurativa”. As atividades foram ministradas por uma das principais referências no país, Petronella Boonen.
O curso foi realizado na Escola Judicial de Roraima (Ejurr), entre 14h e 18h. Participaram da formação, mais de 20 pessoas, entre educadores, psicólogos, facilitadores em Justiça Restaurativa e integrantes das equipes da Unidade de Justiça Restaurativa (Unijur) e do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJRR).
Considerado um dos principais nomes na área de justiça restaurativa nacional e internacional, Petronella Boonen, utilizou atividades práticas e reflexivas para abordar o tema entre os participantes. Ao final do curso, a educadora Petronella Boonen, reforçou o desejo de retornar ao estado para dar continuidade ao diálogo e ver o tema ampliado por meio de iniciativas e políticas públicas.
“Foi um encontro com um povo muito generoso, um povo sensível e, de fato, com dois dias de formação, me sinto muito limitada com tudo aquilo que eu gostaria de dialogar, porque tem um espaço imenso para crescer, acho que as pessoas que estão facilitando, estão dando o que tem. A minha expectativa é que, em breve, Roraima possa ter um programa, não um projeto, mas um programa de política pública que inclua a justiça restaurativa”, destacou.
O curso integrou a programação comemorativa do Programa Justiça Comunitária do TJRR, que completou 20 anos de atuação. A iniciativa busca aproximar o Poder Judiciário das escolas e da comunidades na solução de conflitos.
Para a coordenadora do Programa Justiça Restaurativa do TJRR, Marcelle Grécia Wottrich, a presença da formadora foi um marco para o programa, sendo oportunidade de aprofundar os debates sobre o tema entre diferentes públicos.
“Aproveitamos esse momento para compartilhar essa formação também com as equipes que acreditam nessa cultura de paz. Então, tivemos o escritório do CNJ, o GMF, a Unijur. Então, pessoas preocupadas, e que avançam nessa intenção de levar uma cultura de paz para as suas instituições, seja escola, seja saúde, seja no trabalho com as pessoas que cumprem medidas de semiliberdade, com os adolescentes, com o público em geral.”, reforçou.
Currículo da formadora
Petronella Maria Boonen é uma referência em Justiça Restaurativa. Educadora e co-fundadora da área de Justiça Restaurativa Centro de Direitos Humanos e Educação Popular – CDHEP, ela ministra cursos, oficinas e palestras sobre temas como justiça restaurativa, perdão, conflitos e habilidades emocionais para pessoas ligadas, principalmente, à socioeducativo, área prisional, judicial e pastoral. Tem formação pelo International Institute for Restorative Practices dos Estados Unidos, o European Forum for Restorative Justice, a Fundación para la Reconciliación de Bogotá, Colômbia e a Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul, Brasil. Doutora e mestra em sociologia da educação pela Universidade de São Paulo – USP com tese sobre Justiça Restaurativa. Graduou-se em Ciências Sociais também pela USP e é especialista em mediação de conflitos pela Pontifícia Universidade de São Paulo – PUC/SP. É membro da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo e articuladora da Rede das Escolas de Perdão e Reconciliação – Brasil. Foi pesquisadora no Núcleo de Estudos da Violência-USP e realizou trabalhos em diversos países da América e Latina e Europa.
Foto: Ejurr/Texto: Érica Figueredo.
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