Parte 3: Olane Matos, Técnica Judiciária do TJRR


No dia 8 de março é comemorado o Dia Internacional da Mulher, data em que se celebram conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres ao longo dos anos, sendo adotado pela Organização das Nações Unidas e, consequentemente, por diversos países. Por esse motivo tão especial, a equipe da Escola do Poder Judiciário (Ejurr) resolveu fazer entrevistas semanais durante o mês de março em homenagem a mulheres mais que especiais: formadoras da Ejurr, ou profissionais que de alguma forma já fizeram parte da história da escola. A entrevista de hoje é com Olane Inácio de Matos Lima, atualmente lotada no Núcleo de Comunicação e Relações Institucionais (Nucri).
 


 

Olane Matos é natural de Teresina-PI, mas vive em Roraima desde os cinco anos de idade. É casada, mãe de dois filhos. Entrou no serviço público muito jovem, com apenas 19 anos. Sua carreira começou no TJRR, com a aprovação para o cargo de Técnica Judiciária, no I Concurso Público da instituição, em 1997. Ao concluir a faculdade de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo - da UFRR, começou a trabalhar na sua área, à frente da Comunicação do TJRR, no período de 2000 a 2004.
Ela também tem especialização em Gestão Pública, curso que foi promovido pela Ejurr em parceria com a UERR. Aliás, Olane fez parte da equipe da Ejurr durante quatro anos, de 2017 a 2020. Foi lá que a nossa entrevistada disse que passou uma das fases mais felizes dentro do TJRR. “Tive novas perspectivas e desafios. Virei inclusive formadora. Fiz todos os cursos de formação de formadores (Fofo’s) que a Enfam exige e atuei como formadora em cursos para estagiários, servidores e também magistrados”, disse.
Em suas horas vagas, Olane ainda encontra um tempinho para cuidar da sua saúde: é praticante de corrida, atividade pela qual diz ser apaixonada.

 

Confira a entrevista!
 

Olane, é um prazer enorme conversar com você. Como vocês começou a trabalhar como jornalista? E no serviço público?

O serviço público sempre foi um tema presente na minha vida. Cresci ouvindo meus pais falarem sobre a importância que tinha ocupar um espaço conquistado por mérito próprio. Então, não acho que foi coincidência que meu primeiro emprego tenha sido no Tribunal de Justiça de Roraima. Após aprovação no I Concurso Público para servidores do TJRR, em março de 1997, tomei posse, aos 19 anos, no cargo de Técnica Judiciária. Estava no início do segundo ano da faculdade de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo - da UFRR. Lembro que, na época, tive dificuldade em conciliar as duas coisas, já que fui lotada inicialmente na Comarca de São Luiz do Anauá. Minha temporada lá foi breve, durou cerca de um mês apenas, assim consegui continuar o curso sem comprometer nenhum semestre. Já como servidora do TJ, fiz alguns estágios na área de comunicação durante a faculdade. Em 2000, ano em que me formei, recebi o convite do então presidente do TJRR, Des. Elair Morais, para assumir a área de comunicação da instituição. Foi um grande desafio, sobretudo pela pouca idade e inexperiência profissional, porém foi uma fase de intenso aprendizado. Devo muito da profissional que sou hoje à oportunidade recebida e àquele período. Depois disso, alcancei aprovação em alguns concursos para cargos na minha área de formação. Por diversos motivos, escolhi permanecer no Tribunal. Sou muito feliz com essa decisão! E acabei, felizmente, podendo, na maior parte do tempo, desenvolver minhas atividades no setor de comunicação da instituição.


O dia 8 de março foi definido, pela Organização das Nações Unidas (ONU), como o Dia Internacional da Mulher. O que torna essa data especial para as mulheres, na sua opinião?

É especial por dar sentido a toda a luta que representa. Pelo reconhecimento às conquistas alcançadas e, também, as que ainda enfrentamos diariamente. Avançamos bastante, mas acredito haver um caminho a ser percorrido no sentido de uma convivência mais respeitosa e justa.


O quão balanceado você considera o seu ambiente de trabalho atual em relação a homens vs mulheres? Como foi isso na sua carreira?

Onde desempenho minhas atividades atualmente, no Núcleo de Comunicação e Relações Institucionais (NUCRI), há uma preponderância feminina. Nas lotações anteriores essa quantidade era bem equivalente. Porém, mais que números, gostaria de destacar o fato de sempre ter vivenciado dentro do TJ uma convivência respeitosa e harmônica entre os diferentes gêneros.


E você sentiu algum desafio na carreira específico por ser mulher?

Até agora nunca relacionei nenhum dos desafios por mim enfrentados ao fato de ser mulher. No entanto, sei que, infelizmente, essa não é a realidade da maioria das mulheres.
 

Tem alguém que lhe inspira nessa trajetória?

São inúmeras e diversos os tipos de mulheres que me servem de inspiração todos os dias, algumas publicamente conhecidas, outras anônimas. Porém, gostaria de pedir permissão para, fugindo um pouco da pergunta, render aqui meu reconhecimento e gratidão públicos a uma figura masculina. Àquele que me guiou desde pequena a ter um olhar atento à minha condição de mulher: meu pai, Osmar de Matos. Com ele aprendi, entre tantas coisas, que não cabe aceitação a quaisquer padrões ou relações de subserviência e desrespeito em razão do meu gênero.


Você tem conselhos específicos para mulheres que estão começando agora nesta área da Comunicação Social e que almejam ingressar no serviço público?

Que aproveitem, pois existem muitos nichos a serem explorados nas mais diversas carreiras dessa área. Além disso, ao longo dos últimos anos, cada vez mais órgãos públicos vêm abrindo vagas para cargos efetivos na área da Comunicação, o que representa uma ótima chance de inserção.


E para o mercado de trabalho de forma geral, que conselho daria para que as mulheres possam contribuir para um mercado com oportunidades iguais?

Vejo que as mulheres têm buscado e conquistado, cada vez mais, oportunidades, se preparando da maneira como têm feito. Para mim, essa igualdade nas vagas disponíveis no mercado de trabalho passa por isso também. Então, devemos investir em conhecimento sempre, a fim de estarmos aptas a assumir as posições que desejarmos e nelas atuarmos com dedicação e competência.